- Oi.
- Então, tu...
- Aham! E tu...
- Pois é!
- Coincidência!
- Como tá a...
- Todos bem. E...
- Também.
- Maravilha.
- Fiquei sabendo que...
- Sim. Acontece.
- Que pena.
- Melhor assim.
- Certo.
- Mas tu e...
- Estamos!
- Puxa! Quanto...
- Dois anos e...
- Parabéns!
- Obrigado. Olha, preciso...
- Eu também, estão...
- Claro.
- A gente se...
- Até.
- Até.
Voltaram a seus lugares. Os colegas dela a aguardavam em uma mesa ao fundo. A companheira dele, com a atenção voltada uma mensagem no celular, parecia nem ter notado sua ausência. Durante algum tempo fiquei pensando sobre esse diálogo de falas cortadas e palavras medidas - não nego a tentação de preencher as lacunas, tornando-o minimamente inteligível. Hipótese inicial: cada interlocutor interrompia e antecipava o outro no intuito de que não se falasse mais do que a razão orienta, não se ouvisse mais do que a estabilidade pode suportar. Por isso a conversa soava incompleta. Passei, depois, a considerar outra possibilidade: nenhuma transcrição literal jamais será suficiente para compreender a comunicação silenciosa entre duas pessoas que sabem ter se amado. Todo o diálogo, portanto, revelava-se absolutamente compreensível, com a condição de que não se prestasse muita atenção às palavas.
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O que, evidentemente, não elimina minha inquietação. Por Tutatis, de onde inventaram essa história de massa com feijão?
