Coisas que só acontecem nos arredores do Palácio Ipiranga.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Gustavo Mano acha que a Irlanda tem mais é que se ferrar mesmo. Gol de mão e tudo mais. Allez les Bleus!
terça-feira, 17 de novembro de 2009
O caso do barbeiro esclarecido
Normalmente reservo esse tipo de pauta para debater com o sr. Alex, mas a urgência me obriga a compartilhar. O sr. Alex, digno cavalheiro a quem entrego a responsabilidade da manutenção do cabelo restante, é minha grande fonte de atualizações no campo da ars erotica. Basta me recostar na poltrona, atar-me aquela tradicional capa e, enquanto confere o fio das tesouras do honesto salão de barbearia na General Câmara, verifica se também estou afiado:
- Já viste as trigêmeas?
ou
- Que te pareceu essa última Ronaldinha?
Me encontro quase sempre em obsolência, o que o sr. Alex prontamente corrige disponibilizando seu sempre pertinente acervo. Tal evento, no entanto, não há de ocorrer este mês - o sr. Alex me receberá de olhar triste e prateleira vazia, fazendo questão de evitar o assunto. A razão me foi antecipada através desses belos dispositivos de correspondência virtual, mas não citarei nomes FERNANDA YOUNG porque esse tipo de atentado merece morrer à míngua.
Temo que a outrora confiável instituição de Sir Hugh Hefner esteja perdendo seu faro. O limite entre o belo e o bizarro foi seriamente violado na edição da Mulher-Melancia; a ex-BBB Prianha logrou êxito em realinhar o foco da importância, e as coisas se mantinham estáveis desde então. O que me intriga não é a suposta motivação ético-política por trás do ensaio - hey, as playmates dos anos 80 alegavam posar pela arte, e a gente também fingia que acreditava. Nos anos 90 a justificativa era busca de fama e dinheiro, até que mulheres com fama e dinheiro suficientes decidiram entrar na dança. Nós sempre teremos Paris Hilton.
Não é de se estranhar os sucessivos fracassos editoriais das consagradas magazines. E a grande mídia ainda pergunta se a internet aniquilará os jornais impressos. O sr. Alex, esclarecido, sabe que estão todos olhando para o lado errado. A batalha verdadeira será travada entre internet porn e as revistas masculinas pelo direito de subjetivar sexualmente nossas futuras gerações. Eu mantenho algumas dúvidas. Esperarei para formar opinião a partir da edição de dezembro - se o mundo durar até lá.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Dos reencontros
Ainda o restaurante da José Bonifácio, algumas semanas atrás. Estava eu absorto em ponderações da mais alta relevância - seria lícito acoplar em um mesmo prato feijão e massa, como fazia a senhora defronte a mim? - quando testemunhei esta mui breve cena. Ele à mesa, acompanhado de uma moça (namorada, talvez? precipitado afirmar) que, pelo que pude distinguir, privilegiava as saladas; ela procurando lugar para acomodar-se com os 5 ou 12 colegas de algum desses elegantes cursos de roupas brancas. Notaram-se, hesitaram, voltaram a se notar. Ele e ela, discretos, destacaram-se de seus comensais, fixando o encontro quase acidental em torno do grão-de-bico.
- Oi.
- Então, tu...
- Aham! E tu...
- Pois é!
- Coincidência!
- Como tá a...
- Todos bem. E...
- Também.
- Maravilha.
- Fiquei sabendo que...
- Sim. Acontece.
- Que pena.
- Melhor assim.
- Certo.
- Mas tu e...
- Estamos!
- Puxa! Quanto...
- Dois anos e...
- Parabéns!
- Obrigado. Olha, preciso...
- Eu também, estão...
- Claro.
- A gente se...
- Até.
- Até.
Voltaram a seus lugares. Os colegas dela a aguardavam em uma mesa ao fundo. A companheira dele, com a atenção voltada uma mensagem no celular, parecia nem ter notado sua ausência. Durante algum tempo fiquei pensando sobre esse diálogo de falas cortadas e palavras medidas - não nego a tentação de preencher as lacunas, tornando-o minimamente inteligível. Hipótese inicial: cada interlocutor interrompia e antecipava o outro no intuito de que não se falasse mais do que a razão orienta, não se ouvisse mais do que a estabilidade pode suportar. Por isso a conversa soava incompleta. Passei, depois, a considerar outra possibilidade: nenhuma transcrição literal jamais será suficiente para compreender a comunicação silenciosa entre duas pessoas que sabem ter se amado. Todo o diálogo, portanto, revelava-se absolutamente compreensível, com a condição de que não se prestasse muita atenção às palavas.
---
O que, evidentemente, não elimina minha inquietação. Por Tutatis, de onde inventaram essa história de massa com feijão?
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Porto Alegre, Brasil, feriado nacional, oito da madrugada. Vó liga pro meu celular.
- Alô?
- Guto! Vê se tu avisa avisa aquele ordinário do teu pai que capeletti não é só na sopa.
- Mas hein?
- Capeletti não é só na sopa, ora bolas! - e desliga, visivelmente irritada.
Certo que os federais pegaram ela também.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
10 coisas a fazer antes do fim do ano:
1. Terminar O zen e a arte da manutenção de motocicletas
2. Arrumar meu quarto de uma vez por todas
3. Mais cinema, definitivamente
4. Sem contar os filmes acumulando espaço no HD
5. Trabalhos atrasados do mestrado
6. Trabalhos atrasados da especialização
7. Monografia quem tô enganando? isso não fica pronto antes de fevereiro.
8. Não perder nenhum dos 17 livros da biblioteca
9. Aprender a elaborar listas com 10 itens. Eu sempre canso perto do final.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
O caso do jovem que pensava nas palavras
Roberto compreende que dizer 'o corpo' ou 'o universo' seja a mesma coisa porque, tecnicamente, as palavras corpo e universo designam a mesma coisa. Embora essa idéia de contiguidade entre corpo e universo me agrade, há algo de incompatível. Mesmo que admitamos momentaneamente que palavras designam coisas (e essa premissa de nomeação já seria questionável, uma vez que parte da idéia de que palavras e coisas residem em planos separados), deveríamos considerar que uma palavra pode se referir mais de uma coisa - o que qualquer dicionário vagabundo não encontra dificuldades em atestar. As coisas, então, definiriam-se por palavras, mas essas palavras já estão repartidas pelas outras coisas que representam. Também as coisas encontram-se fragmentadas pelas outras palavras que deveriam dar-lhes identidade. Há, entre as palavras e as coisas, um desencontro perpétuo; à medida que uma palavra avança em direção a uma coisa, essa requer logo uma palavra outra, e assim até o horizonte. Duas palavras não poderiam dizer da mesma coisa porque, em cada palavra, ela constituiria-se instantaneamente em coisa diferente.
Não rejeito a hipótese de que a linguagem tenha conseguido, eventualmente, produzir palavras e coisas cuja ligação íntima não permitiria nenhum equívoco, nenhum deslize, palavra e coisas refletindo-se indissociavelmente. Nenhuma surpresa que as tenha abandonado, também, já que provavelmente não nos serviriam para nada.
Não rejeito a hipótese de que a linguagem tenha conseguido, eventualmente, produzir palavras e coisas cuja ligação íntima não permitiria nenhum equívoco, nenhum deslize, palavra e coisas refletindo-se indissociavelmente. Nenhuma surpresa que as tenha abandonado, também, já que provavelmente não nos serviriam para nada.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
domingo, 11 de outubro de 2009
Batidas na porta do quarto. A luz mirrada que entra pelas irreparáveis frestas da persiana denuncia que as horas da manhã são poucas, muito poucas. Um olho se abre devagar, com cuidado para não acordar o outro. Mais batidas.
- Gustavo?
Reservo algum tempo para me situar no universo antes de decidir se respondo ou não ao chamado da minha mãe, do lado avesso da porta. Se não estou enganado, é quinta-feira. O despertador ainda não se manifestou, o que confirma ser muito, muito cedo. Um dos cobertores que deveriam me guarnecer atirou-se da cama no meio na noite - às vezes, meu cobertores têm sonhos muito agitados, reflito, e percebo que voltam a bater à porta.
- Acho que ele não está. - reporta mamãe, denunciando que havia mais alguém com ela. Não ouço resposta. Algo errado. Alcanço um relógio em busca de parâmetros confiáveis. Quinta-feira, confere. Menos de sete da manhã, confere. Todo o resto não fecha. Não há qualquer motivo para que eu estivesse em qualquer outro lugar que não o meu colchão, tampouco para visitas inoportunas a essa hora. Muito menos para minha mãe mentir sobre minha improvável ausência a um interlocutor misterioso. Se fosse uma emergência, me acordariam com mais vigor; qualquer coisa menos urgente poderia esperar até as 10. Um incêndio esperaria até as 8, pelo menos. E, além do mais, que mais me procuraria?
Então, compreendo toda a situação.
São os federais.
De alguma forma descobriram minhas mp3 ilegais e vieram me buscar. Droga! Tenho de pensar rápido. Eles não devem ter caído no blefe da velha, é provável que já estejam se preparando para arrombar a porta do quarto, me enfiar dentro de uma viatura e confiscar meu insuspeito computador. As evidências! Preciso destruir as evidências.
Não tenho dúvidas: em um instante arranco os cabos do gabinete e o arremesso do terceiro andar em direção à rua, destruindo qualquer vestígio que pudesse me incriminar e um pouco do capô de um Palio mal estacionado. "Jamais me pegarão com vida", penso, e, com um sorriso triunfante, destranco a porta para enfrentar o braço da lei.
Aí, em vez de me deparar com quarenta e doze agentes armados preparando a emboscada, vejo minha mãe e mais uns parentes de longe tomando café com cuca na o sofá da sala, assistindo o Alexandre Garcia no Bom Dia Brasil.
É tudo o que tenho a relatar, senhores. Não foi alucinação, não foi surto de ira, e não, não tô usando drogas. Eu entendi errado, só isso. Então, tio Alvo, da próxima vez que estiveres viajando de madrugada e resolveres "passar de surpresa para dar um abraço nos sobrinhos", me avisa antes. Evitaremos novos contratempos. E desculpa pelo carro.
- Gustavo?
Reservo algum tempo para me situar no universo antes de decidir se respondo ou não ao chamado da minha mãe, do lado avesso da porta. Se não estou enganado, é quinta-feira. O despertador ainda não se manifestou, o que confirma ser muito, muito cedo. Um dos cobertores que deveriam me guarnecer atirou-se da cama no meio na noite - às vezes, meu cobertores têm sonhos muito agitados, reflito, e percebo que voltam a bater à porta.
- Acho que ele não está. - reporta mamãe, denunciando que havia mais alguém com ela. Não ouço resposta. Algo errado. Alcanço um relógio em busca de parâmetros confiáveis. Quinta-feira, confere. Menos de sete da manhã, confere. Todo o resto não fecha. Não há qualquer motivo para que eu estivesse em qualquer outro lugar que não o meu colchão, tampouco para visitas inoportunas a essa hora. Muito menos para minha mãe mentir sobre minha improvável ausência a um interlocutor misterioso. Se fosse uma emergência, me acordariam com mais vigor; qualquer coisa menos urgente poderia esperar até as 10. Um incêndio esperaria até as 8, pelo menos. E, além do mais, que mais me procuraria?
Então, compreendo toda a situação.
São os federais.
De alguma forma descobriram minhas mp3 ilegais e vieram me buscar. Droga! Tenho de pensar rápido. Eles não devem ter caído no blefe da velha, é provável que já estejam se preparando para arrombar a porta do quarto, me enfiar dentro de uma viatura e confiscar meu insuspeito computador. As evidências! Preciso destruir as evidências.
Não tenho dúvidas: em um instante arranco os cabos do gabinete e o arremesso do terceiro andar em direção à rua, destruindo qualquer vestígio que pudesse me incriminar e um pouco do capô de um Palio mal estacionado. "Jamais me pegarão com vida", penso, e, com um sorriso triunfante, destranco a porta para enfrentar o braço da lei.
Aí, em vez de me deparar com quarenta e doze agentes armados preparando a emboscada, vejo minha mãe e mais uns parentes de longe tomando café com cuca na o sofá da sala, assistindo o Alexandre Garcia no Bom Dia Brasil.
É tudo o que tenho a relatar, senhores. Não foi alucinação, não foi surto de ira, e não, não tô usando drogas. Eu entendi errado, só isso. Então, tio Alvo, da próxima vez que estiveres viajando de madrugada e resolveres "passar de surpresa para dar um abraço nos sobrinhos", me avisa antes. Evitaremos novos contratempos. E desculpa pelo carro.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Música da semana - 9
Tempo para leitura virou artigo de luxo, e esses senhores de maquiagem têm me feito companhia. As letras são fenomenais - essa, por exemplo, é de uma riqueza ímpar; a versão oferecida no vídeo a reduz, presumivelmente em razão da adaptação para o DVD. Eu, que sou um pouco ortodoxo no que compete à canção, me rendi ao surpreendente talento dos caras. E, de toda forma, ninguém aguenta mais essas bandas de rapazes com cabelo picotado e calças decididamente muito justas.
Assinar:
Postagens (Atom)
